Mourinho campeão pelo Real Madrid

Se perguntarem aos números de Mourinho qual o campeonato mais duro, mais dividido, mais delicado, da carreira de José Mourinho eles responderão assim: Itália, 2010. Foi o segundo e último com o Inter, selado na bela Siena, com um golo só.

Se esquecermos os números, este que hoje comemora terá sido o mais difícil campeonato da história do treinador português. É justo que a nossa memória o guarde assim. Justo porque honesto, por ser verdade. E porque não há coisa mais difícil no mundo de hoje do que olhar o Barcelona e derrotá-lo. Por um ponto, por dez ou por vinte. No último minuto ou a três jornadas do final.

Visto de Portugal, o Real Madrid foi mais forte, mais duro e menos irregular. Teve períodos de grande futebol, de equipa também temível, também demolidora. Mas o seu grande mérito foi construir-se apesar do Barcelona, construir-se apesar do que o mundo dizia, do que o mundo pensava. Construir-se apesar de todos acharmos que não era possível.

Com períodos espantosos, bons e alguns, poucos, sofríveis, o Real chegou à grande noite, em Camp Nou, e foi melhor. Eu acho que foi melhor. Mas aceito se disserem que foi apenas mais eficaz. Seja qual for o ângulo, mereceu ali, no sítio mais alto, gritar «campeão!». E gritar «campeão!» em casa do Barcelona é de outro mundo.

Este Real construiu-se, dizia, também em menos tempo do que o Barcelona. Muito menos tempo. A lista de jogadores do Real com dois ou três anos de clube é grande. A presença da «cantera» recente é discreta. Construiu-se até contra uma parte do Real Madrid, contra pessoas que representaram o Real Madrid no passado próximo e distante. Jorge Valdano não é apenas um deles. É o rosto.

Este Real deverá ter sido mais forte também em outros aspectos, difíceis de analisar para quem está longe e que, sinceramente, me importam pouco. No final de todas as contas, José Mourinho ganhou e ninguém poderá dizer que não o mereceu. Na primeira época cuidou de marcar o seu próprio terreno. Na segunda época derrubou o Barcelona. Tudo indica que ficará mais uma temporada em Madrid. Faz bem. A base está lá, o talento e o trabalho estão lá, este Real tem de aspirar à Liga dos Campeões. E tem de ser capaz de fazer o Barcelona duvidar.

Para Mourinho, fica cumprida mais uma etapa de uma carreira que parece incrivelmente escrita, passo após de passo, pelo punho do treinador. Portugal, Inglaterra, Itália, Espanha. Um dia destes provavelmente outra vez Inglaterra. Por fim a seleção nacional. Quando Mourinho quiser. Só alguém muito grande para controlar assim uma coisa redonda, escorregadia e caprichosa, a bola. Em 2012, e salvo qualquer feito excecional no Euro, o português voltou a ser o mais forte candidato a melhor do mundo.

P.S.: O papel dos jogadores da seleção portuguesa no título do Real Madrid foi distinto. Ronaldo foi essencial, brilhante, único. Decisivo, sempre. Pepe segurou muitas vezes a defesa e só alguns tristes episódios (por exemplo chutar um colega) impedem que se reconheça toda a qualidade do seu futebol. Fábio Coentrão sobreviveu à primeira temporada, ele que foi um alvo fácil quando as coisas não andaram bem. Ricardo Carvalho é o mistério do ano. E um desperdício, também.

Fonte: Maisfutebol

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One Response to “Mourinho campeão pelo Real Madrid”

  1. Sem duvida mais que merecido… Viva o Mourinho viva o Ronaldo!

    PARABÉNS!!!

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